E assim como trocam os anos, há também a troca no Planalto, chega a Dilma, despede-se o Lula com tantas lágrimas e o povo continua esperançoso. Aqui nos Estados Unidos não passa notícia sobre a Dilma, Presidente ou sobre o Brasil falando que ela era integrante de uma guerrilha em épocas de ditadura. Falasse apenas ela "Era Marxista" e dizem isso mui suspeitosamente. Que "onda". Pois muito bem... Valeu companheira! Como o povo no marco zero gritava: Valeu mesmo!!!
Se fosse Roman Polanski estaria em casa (no meu chalé). Admito que eu recentemente tive com muita freqüência, pensamentos bem burgueses. Fico aqui cobiçando coisas, luxos bestas, como roupas, carros, apartamentos e feriados na Itália, sonho com lugares exóticos, distantes e exclusivos. Queria dois ternos Ermenegildo Zegna, um preto e outro cinza, relógio Patek Philippe, óculos com armação de prata ou quem sabe, um Dolce & Gabbana. Quero ser um "Marxista de grife", igualzinho a um bom PeTista! Rsrsrs... Que coisa, não é? Teria muita sorte se pudesse vestir um short da sulanca e um sapato Topper. Na verdade, seria bem melhor pra mim, produto nacional e de indústria brasileira. Mas quero incluir esse comentário e expor o meu lado negro, materialista, como um tipo de confissão. Também gosto de coisas "chic", as coisinhas de luxo e burguesas. Critico a burguesia e ao mesmo tempo sou meio assim. Há uns anos atrás, lá pelos anos 90 tinha um alto padrão, me acostumei ao luxo, mas faz tempo, viu!!! :) Hoje sei perfeitamente que vaidade não vale nada mas, as vezes ainda sinto falta, falta de conforto. A verdade que realmente acredito que poderia passar a minha vida sendo bem feliz, apenas num sitiozinho em Pernambuco. Mas confesso que há momentos que sinto falta da França, Espanha, Alemanha, New York City, Boston, Milão, Gênova ou Londres... Eu quero fazer uma viagem para Nova Zelândia, Ásia, África do Sul e tantos outros lugares. Talvez esse desejo tenha nascido pelo fato de estar extremamente de "saco cheio" de vestir esse macacão alaranjado e de morar nessa jaula americana, de comer essa comida de baixíssima, péssima qualidade, de essa galera chata pra "caramba" ou talvez como diz a minha esposa, saudades de ser "normal". Sei que esse desejo nosso não é tanto mas, as vezes é tudo. "Normal" será que ser "normal" existe? Ok... Certo, quero dizer, ter uma Família feliz, viver juntos, trabalhar, sonhar, aspirar pelo menos as mesmas aspirações que todo mundo tem, sonhos da classe media, uma casa própria, plano de saúde, emprego bom, educação para os filhos, um carro razoável. Oportunidade, viver em comunidade, curtir os feriados, viagens de ferias, etc... Às vezes penso nas famílias americanas aqui, pais que podem acompanhar os filhos e vê-los praticar esportes, vidas ricas e com tanta abundância (pelo menos no que se diz respeito a valores). E talvez às vezes eu esteja apenas com ciúmes. Inveja da cegueira, da ignorância e da arrogância com que os cidadãos do império americano, na maior parte deles, vivem viciados em consumismos, "fast food", televisão e a escravatura do capitalismo sem fim. Mensagem ao "BraZil" com Z: cuidado!!!
ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA (Meu querido radinho!!!)???
Um dia no passado, na custodia da PF, na minha antiga cela, no final do corredor, escutando o meu radinho, tomei uma decisão determinante, resolvi nunca mais escutar a Jovem Pan, emissora que só tocava musicas internacionais e norte-americanas. Resolvi sintonizar exclusivamente emissoras nacionais, brasileiras. Aí o que tocava era apenas forró, MPB, brega, sertanejas, noticias, Pe Marcelo e até um programa evangélico, chamado "Recado de presidiário". Todos representando muito bem um lado da cultura diversa de Pernambuco, sem esquecer de mencionar os jogos do Sport, Santa Cruz e umas partidas do Alvinegro também.
Meu racional na época era: "poxa", se aqueles sacanas de Brasília me entregarem para os gringos sebosos da Flórida, quando é que eu vou poder ouvir uma boa música brasileira de novo? Então, mesmo estando muitas vezes cercados de africanos, chineses e outros estrangeiros, naquela jaula da PF, aproveitei bastante a chance de escutar Chico Buarque,Zé Ramalho, Vanessa da Mata, Chico Science, Os Novos baianos, João Gilberto, Aviões do Forró, Jorge Ben, Cordel do Fogo Encantado, Ivete, Junior Barreto, Titãs e tantos, tantos outros. E agora nesse instante mesmo, estou doido pra escutar uma musiquinha de Cazuza, Milton Nascimento, Gilberto Gil ou até mesmo um pagode. Meu velho, que sonho de cantar com alegria as estrofes de Marisa Monte, Caetano Veloso ou Roberto Carlos. Ai de mim!!!
Dá para você acreditar, que tenho saudades da cadeia brasileira? Pois tenho. Mesmo tendo sido aquela porcaria, um laboratório de fabricar doido. Um verdadeiro manicômio, um lugar tão pequeno, tão velho, tão quente, onde as grades, grades e mais grades, eram suficiente para fazer enlouquecer a qualquer um. Mas ainda assim, eu sinto saudades! Fiz amizade com muita gente e muitos doidos, gente do mundo inteiro. Uns inimigos também, mas, os amigos era maioria. Foram esses, bicheiros, advogados, favelados, matutos, prefeitos, até os próprios agentes da PF e grandes traficantes, clandestinos, gente do bem e alguns que não prestavam pra "poxa" nenhuma, ricos e pobres, de todas as raças e cores, de ambos os sexos, com todos convivi na custodia da PF. Foram 1047 dias, ou seja, 34 meses e 11 dias ali trancado. Foi loucura total. Foi duro, foi difícil, chorei e as vezes até demais. Sempre fui chamado de "o americano", mas, lá era o meu lar, aqui sou chamado "Brazil", irônico não é? Esse é o apelido que ganhei logo que cheguei aqui. A verdade é que nasci aqui nos EUA, que também falo a língua fluentemente, conheço bem a cultura e historia mas, nunca me senti tão estrangeiro, tão alienado, tão só! Como adoraria ouvir uma musiquinha de Luis Gonzaga agora. Como o rei mesmo cantava, Saudade dói.
"Mermãoooo" o clima de política aqui na Flórida é tão hostil e tão negativo contra qualquer gesto de bondade, de caridade que às vezes eu só quero pensar em futebol. Tenho aqui um amigo mexicano, que coincidentemente foi extraditado do México e que também é fã do "El futebol". Saibam que mesmo aqui não nos permitindo ter uma bola, um campo ou rede, nós somos fiéis ao esporte. A sorte é que o mexicano é cheio de talentos, sabe construir coisas, assim com retalhos de tecidos tirados dos lençóis (coisas de Índio, né?) e utilizando uma bolinha pequenininha de plástico, aquelas que têm dentro do desodorante roll-on, ele vai enrolando em camadas de papel higiênico e pano até finalmente arrumar tudo do tamanho de um melão e formato de uma bola.
E é com isso que todos os dias, passo entre duas e três horas chutando, driblando e tentando fazer embaixadinhas. Essa bola ridícula já até virou meu melhor amigo, imaginem uma bola de fio, de retalhos! Sem contar que é de vez em quando apenas, que as pessoas que estão aqui que podem usar seus próprios sapatos.. Um tempo atrás e com muita sorte comprei uns de um cidadão, um tênis Puma, preto e branco, tempos depois consegui uns meiões pretos também. Uniforme completo pra conseguir chutar essa bola "humilhada" e sonhando que sou o novo craque do Central, o atacante dos sonhos do Patativa da sorte!!!
Por falar nisso, alguém pode me dizer como faço para me tornar sócio desse clube, seria uma nova missão para mim. O Patativa na serie "A" e ainda ganhando contra os timões, Fluminense e Grêmio. Vamos todos torcer pelo Alvinegro! Rsrsrsrs...
Como sempre dedico esse espaço para agradecer a todos, as suas mensagens. Por favor continuem a enviar e repassar esse endereço a todos os seus amigos e camaradas. Quero um dia conhecer todos os advogados e estudantes de Direito que estão sempre visitando o nosso blog. Vou postar aqui na próxima atualização, muitas informações sobre o National Lawyers Guild (www.nlg.org) e sobre o movimento do Critical Legal Studies. Vai ser bacana e muito interessante, creio!
Também quero mencionar aqui a banda Trauma 13. Recebi sua mensagem e fico super honrado. Quero muito conhecer a musica!
Por favor façam comentários, não sejam modestos, galera! A boa conversa sempre tem dois lados.
Até a próxima, se Deus quiser.
Mat, Mathieu, Mateus,
vivo e ao vivo da... Flórida